Imagem de um abraço entre Kratos e Atreus em God of War Ragnarök

Por que a paz de Kratos incomoda?

Lançado no dia 9 de novembro, God of War Ragnarök é um jogo vasto que expande a história de Kratos com diversas visitas ao passado que um dia o assombrou. O antigo general espartano e deus da guerra se vê em meio a uma nova e sangrenta guerra, capaz de desestabilizar toda uma nova terra, como o próprio fez na Grécia, mas desta vez temos um novo olhar sobre o motivo da violência dentro do jogo.

O Kratos de Ragnarök não é o mesmo Kratos que destronou Zeus e destruiu o Olimpo. Após passar por tantos traumas proporcionados por sua sede de poder e pela ação dos deuses gregos, como o assassinato não só de sua esposa e filha, mas também de sua mãe, e diversos outros eventos pesados para uma mente já perturbada, o Fantasma de Esparta encontrou uma paz temporária em Midgard, o reino dos humanos na mitologia nórdica, que veio com a formação de uma nova família, formada por Faye e seu novo filho Atreus.

Mas o descanso do espartano foi encerrado após a morte de Faye, com a ação de Odin. Assim, Kratos e seu filho partem para uma jornada conjunta para se despedir das cinzas de sua falecida esposa.

Atenção: A partir daqui haverá spoilers de God of War (2018) e God of War Ragnarök

Esta aventura, porém, coloca os personagens no caminho de Asgard e do Pai de Todos por Kratos ser o responsável pelo início Ragnarök, fim do mundo na mitologia nórdica. E no caminho do que com certeza acabaria em guerra, vemos que o espartano não deseja mais voltar a ser o monstro que um dia foi temido por toda a Grécia, mas é obrigado a retornar aos velhos hábitos.

Com a chegada de uma nova guerra, Kratos precisa assumir novamente a posição de general, que um dia o condenou a tanta dor, mas ao fim das batalhas nos é revelado que os motivos do personagem foram válidos e pensados para o bem, algo que o levou para a sua tão sonhada redenção, algo que ele julgava não merecer, sendo considerado um deus pacífico.

Mas o ponto que não entra na minha cabeça é o motivo de todo este arco de evolução incomodar parte dos fãs da franquia God of War. Por que a paz de Kratos não emociona esta parte do público?

Imagem de Kratos chorando ao descobrir sua redenção

Kratos é um dos personagens mais icônicos da história dos games e, mesmo assim, os jogadores que acompanharam o guerreiro perder tudo o que tinha ao ser comandado pela raiva e a vingança se recusam a celebrar o descanso e a redenção dele. Basta olhar para redes sociais como o Facebook e o Twitter para ver que há fãs irritados com o fato de o espartano demonstrar seus sentimentos ao atingir o que sempre quis.

Mas a verdade é que Kratos nunca quis se tornar um deus, seu objetivo sempre foi deixar de ter visões sobre seu passado e alcançar a paz. Isto deveria ser claro para todos os que acompanharam a trágica história do personagem, em especial os jogos recentes (a partir do God of War de 2018), que mostram o cuidado do espartano com a criação de seu filho.

Tais pessoas agem exatamente como os deuses gregos destroçados por Kratos: controladores, que ignoram o sofrimento e a dor de um homem que perdeu tudo. Eles celebram a vingança do Fantasma de Esparta e pedem por mais, quando na verdade seriam o alvo de sua raiva caso o mesmo existisse.

Recomendo, a estes jogadores, rejogar os títulos clássicos da série (que são maravilhosos) caso queiram a raiva e a vingança correndo por suas veias, mas desta vez se atentando para os diálogos e a história dos jogos.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Pindamonhangabense, 24 anos, entusiasta de suporte maguinho, estudante de Jornalismo na UFPel

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