Imagem promocional de Assassin's Creed

O que houve com Assassin’s Creed?

Criada pela Ubisoft como uma “substituta” e uma sucessora espiritual para a série Prince of Persia, a franquia Assassin's Creed foi uma revolução para o mercado global de games. Com uma trama bem amarrada entre eventos históricos em um passado distante e um presente misterioso cheio de tecnologia, Assassin's Creed foi um sucesso absoluto desde sua estreia, mas o que aconteceu em determinado ponto de sua história para que a franquia se tornasse algo diferente?

Iniciada em novembro de 2007, com o lançamento de seu jogo original, a franquia estreou com a história alternada de Desmond Miles e seu antepassado Altaïr Ibn-La'Ahad, que viveu na Terra Santa (atual Israel e Palestina) durante a Terceira Cruzada. Durante a história disponibilizada para PlayStation 3 e Xbox 360, além de uma versão posterior para PC, o jogador era convidado a se juntar ao confronto entre a Irmandade dos Assassinos e a Ordem dos Templários (inspirada nos Cavaleiros Templários) em dois espaços de tempo distintos.

O presente era cheio de mistérios, mas também era o verdadeiro motivo e justificativa dos momentos no passado, com a existência de uma máquina chama de Animus. Criada pela Ordem dos Templários atual, a máquina possibilitava que seus usuários acessassem memórias de seus antepassados e era utilizada para buscar os itens chamados de “Peças do Éden”, criadas por deuses antigos.

E para isso, a fórmula criada pela Ubisoft trouxe um jogo focado em uma gameplay furtiva com muitos elementos retirados do parkour, além de um combate focado em contra-ataques e um vasto mundo aberto, disponibilizado em um “sistema de cidades” com representações fiéis de locais como Masyaf, Jerusalém, Acre e Damasco estariam no ano de 1191. Este viria a ser o padrão da série nos oito anos seguintes, dando origem a mais oito jogos da franquia, sendo eles:

  • Assassin's Creed II (2009)
  • Assassin's Creed: Brotherhood (2010)
  • Assassin's Creed: Revelations (2011)
  • Assassin's Creed III (2012)
  • Assassin's Creed IV: Black Flag (2013)
  • Assassin's Creed: Rogue (2014)
  • Assassin's Creed: Unity (2014)
  • Assassin's Creed: Syndicate (2015)

A série foi o carro-chefe da Ubisoft por quase uma década, mas enfrentou alternâncias entre títulos que hoje são consagrados e alguns lançamentos considerados bem abaixo, especialmente em seu lançamento. Alguns jogos, como Assassin's Creed II e Black Flag (quarto jogo da franquia), se tornaram verdadeiros clássicos da história dos videogames, enquanto outros. mais especificamente Unity e Syndicate, ficaram marcados por bugs e problemas de lançamento, os tornando até mesmo esquecidos por parte dos fãs.

Isto fez com que o estúdio revisse sua forma de ver os jogos da franquia, como uma receita de bolo que não precisava de modificações, e decidiu dar um ano sabático para Assassin's Creed em 2016 e retornar com uma reformulação no ano seguinte.

O renascimento de Assassin's Creed

Após o baixo desempenho dos jogos inspirados em eventos das revoluções Francesa e Industrial, Unity e Syndicate, respectivamente, a Ubisoft optou por levar a franquia ao Egito e recontar a origem da Irmandade dos Assassinos, mas isso não foi a única coisa que o estúdio recriou. Em 2017, a desenvolvedora optou por alterar totalmente o estilo de gameplay visto na série com o lançamento de Assassin's Creed: Origins, levando os jogadores de uma franquia de jogos de ação e aventura para uma gameplay totalmente focada no gênero RPG de ação.

Com elementos como níveis de personagem e inimigos, números de dano e até mesmo itens com atributos, a Ubisoft chamou a atenção de jogadores de outras franquias de games, como The Witcher e The Elder Scrolls V: Skyrim, algo que chamou novos fãs para a franquia Assassin's Creed, apesar de ser algo que cortou a relação de muitos jogadores com a saga. O novo estilo de gameplay, para muitos dos jogadores de longa data, descaracterizou o já tradicional sistema de furtividade e foi contra algo muito queridos pela comunidade.

Apesar disso, o sucesso do novo estilo de jogo com grande parte do cenário de games que não acompanhava a franquia Assassin's Creed garantiu que a Ubisoft mantivesse a nova gameplay como padrão nos jogos seguintes.

Assassin's Creed sem foco em assassinos

Com o sucesso que foi a reformulação da franquia, a Ubisoft optou por se distanciar ainda mais dos elementos clássicos de Assassin's Creed, porém mantendo os jogos temáticos de diversas épocas. Após Origins, o estúdio publicou AC Odyssey, situado na Grécia Antiga, e mais recentemente lançou AC Valhalla, focado em incursões vikings e com cenas na Noruega, Inglaterra e Vinland (América do Norte), além de conteúdo nos reinos mitológicos de Asgard e Jotunheim.

Ambos os jogos retiraram o foco na história da Irmandade dos Assassinos e seu confronto contra a Ordem dos Templários, trazendo ainda mais elementos clássicos de grandes jogos de RPGs de ação, além de de conteúdo mitológico. Tal medida era um tanto inimaginável no primeiro jogo da franquia, visto que a Ubisoft chegou a remover a besta do arsenal de armas de Altaïr antes do jogo original da franquia ser lançado, por conta de inacurácia histórica.

Retorno às origens?

Apesar das mudanças e o sucesso comercial dos novos moldes, é possível que a Ubisoft tenha planos de trazer a franquia Assassin's Creed de volta ao “gameplay de cidades”. No último dia 1 de setembro, o estúdio anunciou que está trabalhando em Mirage, o próximo grande jogo da franquia.

A confirmação de um novo jogo veio após a divulgação de vários rumores, que afirmavam que o próximo game da franquia seria situado em Bagdá (atual capital do Iraque) e teria Basim Ibn Ishaq, introduzido em Assassin's Creed Valhalla, como o personagem principal. Porém, o estúdio não confirmou os rumores, se limitando apenas a revelar a primeira imagem oficial de Mirage e o anúncio de que novidades sobre o título serão reveladas durante a próxima edição do Ubisoft Forward, que será realizado no próximo sábado (10 de setembro).

O título mais recente da franquia até então é Assassin's Creed Valhalla, que está disponível para Amazon Luna, Google Stadia, PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X/S. Além de muito conteúdo disponível em sua versão base, Valhalla ainda conta com as expansões Wrath of the Druids, The Siege of Paris e Dawn of Ragnarök.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Pindamonhangabense, 24 anos, entusiasta de suporte maguinho, estudante de Jornalismo na UFPel

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