Imagem promocional de Life is Strange 2

O Life is Strange mais subestimado

A franquia Life is Strange é um marco na história dos jogos de aventura gráfica. Com seu primeiro jogo publicado em janeiro de 2015, a série ficou marcada na mente dos fãs por conta de seus personagens carismáticos e a apresentação de uma história profunda, que inclui a descoberta de superpoderes e temas sensíveis, como o bullying e a depressão.

Porém, um jogo da franquia acabou não recebendo a mesma atenção que seus antecessores (e o seu posterior): Life is Strange 2. Cronologicamente o terceiro lançamento da série, LiS 2 pega elementos do jogo original e da prequel Before the Storm e os eleva para contar uma história pesada e extremamente crítica ao momento que os Estados Unidos viviam em 2018, o ano de seu lançamento.

No jogo somos apresentados aos irmãos Sean e Daniel Diaz, dois jovens de 16 e 9 anos (respectivamente), filhos de um pai mexicano, que são obrigados a fugir de sua casa em Seattle para escapar da polícia uma perda traumática e a descoberta de que o mais novo deles possui poderes telecinéticos. Com isso, eles criam o plano de fugir para Puerto Lobos, a cidade natal de seu pai no México, mas acabam tendo de enfrentar uma longa jornada para chegar até lá (ou não).

Apenas isso já seria algo intrigante, que nos dá a curiosidade por saber sobre os caminhos que os irmãos Diaz terão que andar, mas para uma parte considerável dos fãs, Life is Strange 2 costuma ser o título esquecido da franquia. Apesar de ter referências ao primeiro jogo, como uma cena de Arcadia Bay e a aparição de um personagem dos primeiros jogos (que cita Max Caulfield e Chloe Price), a jornada de Sean e Daniel não atraiu a totalidade dos jogadores.

Talvez isto seja um reflexo de uma trama mais adulta, onde os irmãos (em especial Sean) passam por uma grande carga de sofrimento, que vai desde a perda de seu pai até casos absurdos de racismo e xenofobia. Além disso, o jogo também trata de outros temas muito sensíveis como violência policial, o uso e tráfico de drogas, abandono parental, fanatismo religioso e homofobia, algo que desperta gatilhos para pessoas que passaram ou passam por algo parecido.

Imagem de Daniel treinando o uso de seus poderes em Life is Strange 2
Divulgação / DON'T NOD

Outro “ponto negativo” para alguns é que os poderes característicos da franquia não são algo que o jogador controla totalmente, visto que Daniel é quem os possui. Por conta disso, jogadores precisam assumir o papel de irmão mais velho com Sean e, não apenas ensinar Daniel a respeitar ou não as leis (o jogo possui um sistema de moralidade), mas também aumentar seu laço de irmandade com ele, acreditando que ele fará o uso correto de seus poderes.

Tudo isso, além das escolhas feitas durante a gameplay, reflete no encerramento do jogo, que conta com quatro finais distintos (que somam sete variações). Ou seja: é um jogo que exige atenção aos detalhes e carinho do jogador, para que este descubra se chegou ao melhor ou pior fim para a dolorosa jornada dos “Irmãos Lobo”.

Imagem de Daniel e Sean em Life is Strange 2
Divulgação / DON'T NOD

O jogo mais recente da franquia é Life is Strange: True Colors, que é mais ligado aos eventos do primeiro jogo da série, com o retorno de personagens conhecidos e citações acerca dos eventos de Arcadia Bay. True Colors foi publicado em 2021 para as plataformas PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X/S, e ganhou uma versão para o Nintendo Switch em dezembro do mesmo ano.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Pindamonhangabense, 24 anos, entusiasta de suporte maguinho, estudante de Jornalismo na UFPel

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