Como surgiu a classificação etária nos games

Quem faz a classificação etária nos games?

A classificação etária nos games é responsável por indicar para qual idade o jogo é indicado. Crianças podem jogar determinado game? Ou ele é só para adultos? Quem decide isso é o órgão responsável pela classificação etária em cada país.

Por exemplo, no Brasil, essa especificação é feita pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação, do Ministério da Justiça, que divide os jogos em Livre, 10 anos, 12 anos, 14 anos, 16 anos e 18 anos.

Nos Estados Unidos, Canadá e México, há o sistema ESRB, que classifica os jogos entre Early Childhood, Everyone, Everyone 10+, Teen, Mature e Adults Only.  

Na Europa, em 2003, foi criado o Pan European Game Information, dividido em 3 anos, 7 anos, 12 anos, 16 anos e 18 anos. O sistema vale para o Reino Unido, a França, a Itália, a Grécia, a Romênia, entre outros. 

No Japão, desde 2002, há o Computer Entertainment Rating Organization (CERO), que classifica os games em A (todas as idades),B (maiores de 12 anos),C (maiores de 15 anos),D (maiores de 17 anos) ou Z (maiores de 18 anos). 

Como a classificação etária surgiu

No início da década de 90, nos Estados Unidos, o mercado de videogames estava em expansão e o foco dos desenvolvedores não eram mais só as crianças, de forma que houve um boom de jogos mais violentos como Mortal Kombat e Night Trap (este última foi uma tentativa da Sega de se diferenciar da Nintendo, adotando um posicionamento mais adulto e maduro e apelando para sexo e violência). 

Como não havia classificação indicativa, os mais novo tinham acesso à esse conteúdo e isso começou a preocupar o governo americano. 

A SEGA até tentou criar sua própria classificação, mas não foi suficiente para agradar os governantes, que acharam esse sistema muito vago. Aí, os senadores Joe Lieberman e Herb Kohl resolveram criar uma classificação única para todas as empresas, o que gerou uma polêmica enorme, com bastante gente afirmando que isso era uma forma de censura e com os desenvolvedores tendo que se defender das acusações de incentivarem a violência para as crianças.

De qualquer forma, em 1993, as empresas de videogame e os políticos foram parar no tribunal, com direito até a cobertura da mídia, em uma espetacularização do julgamento.

Como duas boas concorrentes, a Nintendo e a SEGA começaram a brigar entre si no meio do debate. A Nintendo, por exemplo, falava que, diferentemente da SEGA, não publicava jogos com temáticas adultas. Já a SEGA acusou a Nintendo de ter sim jogos violentos, de não ter se preocupado em fazer uma classificação indicativa e ainda ter uma arma – a Super Scope – sendo vendida para crianças.

O ponto é que, no final, os políticos ganharam e as empresas tiveram que se unir para criar uma classificação etária única. Em 1994, Lieberman e Kohl, os senadores responsáveis pelo caso, lançaram o Ato de Classificação dos Vídeo Games, que previa que um comitê seria escolhido pelo presidente dos Estados Unidos e iria cuidar da classificações dos jogos caso as companhias de videogame não desse conta do trabalho dentro de um ano.

Dessa forma, surgiu o Entertainment Software Rating Board (ESRB), que foi o pontapé para que outros países criassem suas próprias classificações indicativas.

Variações

A classificação etária nos games pode variar de país para país. Um exemplo é The Sims 4, que, enquanto na maioria dos países é adequado para adolescentes, na Rússia, o jogo foi classificado como sendo para maiores de 18 pelo motivo de que é possível criar casais do mesmo sexo. Na Alemanha, The Sims 4 recebeu a classificação de 6+.

Como surgiu a classificação etária nos games

Outro exemplo é o jogo DayZ, que, na Austrália, sofreu com restrições porque os jogadores ganhavam bônus pelo uso de drogas. A empresa responsável pelo game precisou trabalhar em outra versão para que DayZ pudesse entrar em território australiano.

Como surgiu a classificação etária nos games

 

Confira uma lista com jogos que foram proibidos no Brasil

A censura imposta a jogos de videogame em diferentes países gera muita polêmica, mas é algo muito comum de acontecer. Às vezes, o governo chega até mesmo a banir um determinado jogo por causa de conteúdo considerado ofensivo dentro daquele contexto cultural ou ideologia política dominante. Aqui, no nosso país, isso não foi diferente. Confira aqui jogos proibidos no Brasil, como Carmageddon, Duke Nukem 3D, Bully, Counter Strike e outros.

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Letícia Höfke

Letícia Höfke

Sou jornalista, escritora e completamente apaixonada por tudo que envolve o universo geek. Twitter e Instagram: @leticiahofke

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